quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Análise: Dessalinização de água no Nordeste? Já temos! Só que não...


É sabido em todo o mundo que se existe um país que sabe como driblar as intempéries da natureza, esse país é Israel. Uma faixa de terra diminuta com praticamente uma única fonte de água doce é uma das maiores potências mundiais — se não a maior — quando o assunto é tecnologia hídrica.

No Brasil, quando se fala sobre qualquer coisa, é comum que se façam comparações com os melhores do mundo. Educação? Devíamos reproduzir o ensino da Finlândia. Perfumes? Os nossos não prestam, bons mesmo são os franceses! Licença maternidade? O Brasil tinha que fazer como a Bulgária e conceder mais de um ano. Trens? Tinham que ser como no Japão!

Entendo perfeitamente que a busca pelos melhores exemplos é saudável e deve ser incentivada, mas não consigo compreender todo esse barulho sobre a parceria entre o governo brasileiro e Israel para levar a melhor tecnologia de dessalinização de água do mundo ao Nordeste. Temos que ter tudo do melhor, desde que não envolva Israel? Ou o problema é o Nordeste? Lá não? Lá nunca?

Sinto vergonha do jornalismo brasileiro quando leio matérias dizendo que “o Nordeste possui há anos inúmeros projetos eficientes de dessalinização”, que “a tecnologia israelense é muito cara”, que é “desnecessário algo desse tamanho”, que “basta cavar poços, pois há muita água lá”. É sério isso?

Inúmeros projetos “eficientes” há anos? Então o Nordeste não tem mais falta de água? E quanto aos gastos, será que vai sair mais caro investir para garantir um direito básico do que as fortunas que muitos políticos (entre outros) embolsaram, fazendo obras que mais parecem remendos para seguir mantendo aquela região na miséria? Será que é mesmo desnecessário e a tal da seca nordestina não passa de fake news?

A verdade é que é perfeitamente possível que o Nordeste tenha água de qualidade, a exemplo do que acontece em Israel, mas fazer isso acontecer vai expor a incompetência dos governos que fizeram pouco ou quase nada por aquela região. Nordeste neste país só tem servido como palanque, sejamos honestos!

Hoje, Israel enfrenta outro problema: o que fazer com a água que está sobrando. Há mais água do que os israelenses têm consumido e mesmo abastecendo a Cisjordânia há anos ainda há sobras. É esse tipo de problema que eu desejo para este país. R7.com