sexta-feira, 6 de abril de 2018

ARTIGO: HÁ, SIM, MUITA TRISTEZA. INJUSTIÇA NÃO!


Para quem viveu, sob forte emoção e fé, a luta e a vitória de Lula no cenário político brasileiro – sobretudo para os que viveram essa história em militância -, hoje se faz um dia de grande tristeza.
Olhar o rosto envelhecido de Lula e seus olhos tristes leva qualquer ser humano a reconhecer como decadente aquela expressão facial por trás de um emblemático (mas enfraquecido) punho cerrado.
Infelizmente, Lula se perdeu na ânsia de poder e de enriquecimento. Ser o presidente que foi e realizar as façanhas louváveis num país de profunda pobreza como o nosso não o credencia a utilizar-se da vida pública para cometer crimes e fazer as alianças escusas que fez..Sabia que usar seu cargo público para angariar benesses pessoais e para manter um projeto enlouquecido de poder era perigoso. Mas acreditou na impunidade que estava acostumado a ver e contra a qual, tantas vezes, discursou e nos levou a militar, a lutar – razão por que ascendeu à presidência.
É dia de tristeza sim! Tristeza, porque, mesmo que os bem-intencionados queiram fazer analogia entre Lula e Luther King, entre Lula e Mandela, entre Lula e Gandhi; no fundo, sabem que nenhuma dessas figuras históricas fora presa ou morta sob a tutela da corrupção, da quebra da fé que tiveram nelas.
É dia de tristeza, mas não há injustiça. Estamos, apenas, estarrecidos, porque nos adaptamos a ver presos infratores de menor poder e de menor escala; não nossos heróis.
Não devemos cobrar impunidade aos nossos, porque muitos dos outros ainda estão impunes. Devemos cobrar a punição de todos, mesmo que isso nos leve à dor de quem, no fundo, sente-se traído. E a traição dói mesmo, a ponto de levar muitos a negar tê-la sofrido.
Soframos. É natural. Mas não devemos viver isso intensificando ódio, nem apostando em perigosos espetáculos partidários num país onde há uma guerra civil clara, em que quase 60 mil pessoas são assassinadas por ano. Isso, enquanto os políticos fazem suas guerras frias e tentam nos emaranhar nestas. Soframos sim. Mas não nos deixemos enganar mais.
Pela jornalista Vera Medeiros
Edenevaldo Alves