quarta-feira, 24 de maio de 2017

Quanto você paga de imposto nos eletrônicos? Confira resultado de pesquisa

 Grande parte do valor que você pagou pelo seu smart­phone é de impostos. Na verdade, a carga tributária sobre o preço desse tipo de produto é de quase 40% no Brasil. Isso significa dizer que, se um aparelho custar R$ 4 mil (caso dos mais modernos como o iPhone 7), mais de R$ 1,5 mil serão somente de tributos. Ou seja, não fosse a incidência dessas obrigações, o brasileiro poderia comprar um aparelho que hoje custa R$ 4 mil, pagando cerca de R$ 2,5 mil. 

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mapeou o peso da carga tributária dos eletrônicos no País. O resultado deixa claro o quanto as taxas influenciam no preço final cobrado aos consumidores. Tablets (39,12%) têm carga tributária semelhante aos smartphones (39,80%). No caso dos iPads, o peso dos tributos chega a 47,59%. Para computadores acima de R$ 3 mil, a carga é de 33,62%. 

“Essa é uma herança do protecionismo à indústria nacional. Por isso todos os produtos importados sofrem grande tributação, sobretudo os de tecnologia. Calcula-se que os itens cheguem a dobrar de preço com essas obrigações”, explicou Maurício Laranjeira, gerente de desenvolvimento empresarial da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe). 

Advogado tributário, Gilmar Souza explica que nas operações de importação incidem impostos sobre Produto Industrializados (IPI); Importação; Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); além das contribuições do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A simplificação desses recolhimentos - unificando IPI e ICMS - faz parte dos debates sobre uma reforma tributária. “Mas é difícil porque são impostos de competências diferentes, um é da União (IPI) e outro dos estados (ICMS)”, acrescentou. 

O problema é que a avalanche tributária influencia toda a cadeia do comércio. "Tanto do importador, como para quem vende e para o cliente final", diz o consultor tributário da Federação do Comércio do Estado, Luis Rodrigues. 

Mesmo que grandes fabricantes já produzam no Brasil, os impostos incidem na entrada dos componentes eletrônicos - quase todos importados. “O ideal era estimular a instalação de indústrias produtoras desses componentes aqui também”, disse Laranjeira. 


O volume de impostos que encarece os produtos no Brasil se explica pela lógica tributária do País, argumentou o tributarista Cristiano Xavier. “Aqui se tributa mais o consumo (51%) do que a renda (18%). Em outros países, como nos Estados Unidos, a lógica se inverte”. Ele também explica que os eletrônicos são vistos como “supérfluos”, por isso são mais tributados que os alimentos, por exemplo. “Essa lógica não se justifica totalmente porque há eletrônicos mais tributados do que armas e remédios”.
Folha PE